sábado, 8 de outubro de 2011
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Sem limites
Regresso aos teus braços
Ao teu corpo que me espera
como se fora a vida inteira o meu lugar,
Minha morada!
Tua boca me acolhe,
Com beijos molhados,
Com sua língua atrevida.
Teus olhos me velam,
Me secam, me consomem a imagem.
Vens até mim e me recebe em teu íntimo
Instala tua língua em meu seio, meu mamilo,
Que te aguarda,
Que te implora.
Esqueço o cansaço e em ti me refaço.
Aqueço minha libido no calor de tua pele,
Que mais parece um corpo em febre
Febre que também sinto agora,
No meu corpo que em chamas segue o teu ritmo
E no teu fogo se demora.
Trago-te a mim
Meio que a implorar por teu vigor.
Minhas mãos ansiosas
Passeiam em tua pele enquanto meu paladar devora o teu sabor.
Nos consumimos sem fim
Sem limites, sem pudor
Mas o soar do relógio nos dá conta do tempo que se passou
Hora de regressarmos à rotina
E em meio ao cansaço,
Ao fôlego que nos falta,
Reclamo outra vez o teu corpo,
Imploro por mais um pouco,
Um pouco mais de amor para este louco
De ti jamais saciado...
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
O outro

Para Jorge Luis Borges
Onde estou quando não estás comigo?
Por onde sigo quando não caminhas ao lado
Desta sombra sempre minha?
Por onde ando, quando comigo não prossegues
Na vertigem deste dia,
Tal uma carta num baralho,
Um terrível itinerário?
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Nem só de pão
Minhas palavras não planejam
Vôos longínquos
Mas eu mal acabo o pensamento
E já não as alcanço...
São de fato fugidias
Como dizia Cecília
Enquanto o corpo pede um prato
A alma pede refúgio
Nas notícias distantes
Das notícias deste mundo
Não posso pedir pão
Se foi me dado o desejo de voar
Não posso dar pão
Se só as palavras libertam...
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Eu, Pierrot
Eu, Pierrot
Cansado de mim
Vou me tornar Arlequim
Eu, que de amor
Cansei de chorar
Não quero mais lembrar
Desse amor agonizante que me alucina
Não quero mais te querer, Colombina.
domingo, 2 de outubro de 2011
Peregrino II

À Madame M., com todo o meu prazer.
Na saudade que teu corpo me deixou
(Sombra de uma manhã sem destinos)
Há uma carne banhada de tua ausência,
Há um fantasma me acenando do limbo
Mortal que me macula o pensamento
Como quem desenha seu tormento...
Na saudade que teu corpo me deixou
Há meu perfume impregnado em sua pele,
Há uma vela sempre acesa sobre a mesa
Decifrando o fantasma que me persegue
Nas cruciais horas em que me assassino
Em ruas escuras, esfarrapado peregrino.
Desse egoísmo insano e profundo,
O de sentir-me em ti como perfume,
O de ater-me ao teu passo profano,
Fica sempre essa mancha, esse ciúme
De ver-te e não ter-te aqui comigo,
- Sombra da noite, porto, abrigo...
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