segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Quero-quero

Quero viver entre goles e letras
Quero risos e canções
Quero sons e alegrias
Amores, folia.

Quero um futuro tranquilo
Quero a paz da maresia
Quero gelo na bebida
E transparência na vida.

Quero querer o que eu quizer
E poder ter o poder que não é querer
Quero vida
Quero luz
Quero sempre amor
Quero tudo, seja o que for.


Ariany do Vale
Poetisa

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Desnuda

Poema feito especialmente para a edição de janeiro e fevereiro do jornal cultural CLANDESTINO.

Findar-se agora,
Em fantasias sórdidas,
Estuprar conceitos,
Subverter caduquices...

Pôr-me ao avesso,
Sincronizar perversões,
Estraçalhar rótulos,
Infernizar-me...

Confrontar-me, discordante –
O poeta e o ateu...
Reinventar-me,
Desnudar-se do eu.


Rayane Medeiros
Poetisa

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Bem-vindo

Na calmaria de um ano novo que se apresenta
Um intenso verão de amor que se inventa

Na paz da brisa que venta
Em um nascer de sol na areia do mar

Nos beijos da luz na água
E no canto do tempo sobre a vida

Sem muitos planos
Sem desamores e enganos

Em um novo ano de luz e paz
A renovação da alma
E do coração que se faz.


Ariany do Vale
Poetisa

Procuram-se loucos

Procuram-se loucos,
Dos mais tolos possíveis.
De amigos invisíveis
A parafusos soltos.

Procuram-se loucos,
Para asilos recentes.
Procura-se por todos
Considerados dementes.

Procuram-se loucos,
Atestando insanidade.
Procura-se por bobos
De todas as idades.

Procuram-se loucos,
De virtudes duvidosas
Procura-se por poucos
Mas dispostos a tudo.

Para uma revolução;
Um grande ato
[pura loucura].
Para salvar a nação
Da mesmice
Contemporânea.


Luiz Luz
Poeta

Inundação

Era noite de bafo quente.
A rigor, madrugada.

O calor batido fê-lo carne voar longe.

Um estampido.
Feito tiro, finalizando tudo:

O semáforo verdevermelho,
A rua de passantes apressados,
O coletivo cheio de curiosos.

Uma batida quente e escura
Inundou o asfalto de sangue e carne fraca
E fê-lo findar.

Era noite de bafo quente
O dia que experimentou ser

livre.


Nina Rizzi
Poetisa

Solitário

As aves voam com liberdade,
O sol nasce ao clarear do dia,
E eu preso com essa saudade,
Na solidão, à noite, sem alegria.

Que a maré me traga o sorriso
Junto com ele vem meu sonhar...
O vento traga o ar que preciso
Para esperança poder respirar.

A primavera traga o amor,
O verão me traga sua luz,
O outono me traga sabor...

Que a estrela volte a brilhar,
A brisa alivie meu sofrimento,
O futuro me faça saber amar.


Joedson Morais
Poeta

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Os imensos abismos




Que farei com esta paz
Que me consome,
Corrói-me
Como uma ferrugem
Sobre o ferro?

Esta paz
Posta sobre as coisas,
Esta paz
Jogada sobre a cama,
Esta paz
Personificada em lábios,
Braços,
Bustos,
Pernas
E dedos.

Esta paz
Efêmera sobre os lençóis,
Acuada pelo medo –
A presa que se devora!
Esta paz fragmentada sobre imensos abismos,
Descendo a profundezas tão nossas!