segunda-feira, 9 de julho de 2012

Aqui estou


Aqui estou, ó Cósmica Energia,
De coração de Fogo,
De olhos de Água,
De corpo de Terra
E de Alma de Vento,
Puro e livre… etéreo;

Aqui estou, só em Essência,
Para me fundir
Na vera Luz que Sou,
Para me unir
À vera Luz que És.

Pedro Belo Clara
Poeta

sábado, 7 de julho de 2012

Do Encontro



E nada mais anseio,
Senão o dia em que
Meus olhos inquietos,
Cruzarão com os teus;
Meus braços insistentes,
Encontrarão seus pares e
Meus lábios eufóricos,
Contentar-se-hão,
Morrer em tua face.


Rayane Medeiros
Poetisa 

terça-feira, 3 de julho de 2012

Em nada creio


Em nada creio
e Deus sabe
o quanto nisso acredito.

Creio como quem morre,
creio como quem sofre,
creio como quem lança um grito.

Em meus poemas, por exemplo,
só creio quando
ainda não estão escritos.

João Andrade
Poeta

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Nada possuo


Nada possuo;
De nada me poderei dizer dono,
À excepção de mim mesmo…
E, ao assim ser,
A nada me prendo,
Em nada me permito encarcerar –
Sou livre; livre!
Livre como a ave
Mais pura e bela,
A Fénix que se reinventa,
Que livremente traça
Seu rumo pelos céus
De infinito azul.

Pedro Belo Clara
Poeta português

Pelos cantos


Escorre dos olhos
o que me turva e neblina
como uma sinfonia de espantos
do que em mim desafina.

Não há nenhuma novidade,
meu canto emudeceu.
Cada canto de mim conta a minha história.
O fim do mundo sou eu.

Leocy Saraiva
Poetisa

Sina


A mulher do sertanejo;
mãe de sete filhos e outras tantas filhas,
pés inchados no chão ardente,
lenço colorido nos cabelos,
quando longo, coque prendendo-os;
vestido de chita, encardido,
amassado, curto demais.

A mulher do sertanejo
Olhos marejados diante do sol escaldante,
do marido distante,
dos filhos distantes,
das filhas caladas,
mal-vestidas, descabeladas,
confinadas
no silêncio de tristes mulheres sertanejas.

Araceli Sobreira
Poetisa

domingo, 1 de julho de 2012

Cafeteria II



Sento-me
        (Na cafeteria)
E me detenho,
Olhando as pessoas
       Ao redor.
Vejo-me, aqui, a refletir
       Tormentos,
Passagens, aragens, pó.

Alguém me olha
       (insinuante)
Para saudar-me
       (efusivamente).
Então me distraio
       (a mão aberta)
Para toda gente...

Pensar na vida
(E mais que isso),
Levar a xícara
À boca fria,
Eis a única certeza
Que redijo
Numa das mesas
Da cafeteria.

Alguém me olha
(A reclamar miragens)
E se fixa na minha xícara de café...
Deixo-me levar, assim,
Pelos imprevistos
Olhares dessa mulher...

Mário Gerson
Poeta