terça-feira, 14 de agosto de 2012

Lascívia


Pele quente,
Calor, suor
Me aquece,
Me acende,
Me deixa queimar...
O fogo consome
Tudo que restar,
As chamas engolem
A alma a gritar.
Incansável,
Irreparável
A força que age,
Que move, que nos guia,
Uma invasão, um ultraje!
Quantas marcas
Ainda posso deixar?
Quantos lugares
Ainda há para marcar?
Pare! Afaste-se!
Me faça parar!
Ajeite a gravata
Amarrotada, entregadora...
Eu arrumo meu cabelo
E amanhã, então...
Não passou de um pesadelo.

Yáskara Fabíola
Poetisa

História do poder


Éramos muito ricos,
Mas levaram nossas riquezas,
Sugaram nossas alegrias
E plantaram tristezas.

No lugar onde tudo
O que plantava podia-se colher,
Agora tudo murcha
Por causa da plantação do poder.

Colonizadores dominavam
Levaram tudo o que podiam aproveitar,
Eram ladrões ambiciosos
Que o mundo queriam dominar.

E deixavam uma herança
Por onde passavam, o poder
Que gerou vários conflitos
E muito sangue fez correr.

Cada vez é pior
Nesse jogo de dominação,
Matam uns aos outros
Para terem o poder nas mãos.

A humanidade caminha assim:
Cada um querendo sempre estar na frente
E os “Reis” ainda falam de humildade,
Mas continuam dominando mentes.

Jéssica Lima
Poetisa

História do poder

Éramos muito ricos,
Mas levaram nossas riquezas,
Sugaram nossas alegrias
E plantaram tristezas.

No lugar onde tudo
O que plantava podia-se colher,
Agora tudo murcha
Por causa da plantação do poder.

Colonizadores dominavam
Levaram tudo o que podiam aproveitar,
Eram ladrões ambiciosos
Que o mundo queriam dominar.

E deixavam uma herança
Por onde passavam, o poder
Que gerou vários conflitos
E muito sangue fez correr.

Cada vez é pior
Nesse jogo de dominação,
Matam uns aos outros
Para terem o poder nas mãos.

A humanidade caminha assim:
Cada um querendo sempre estar na frente
E os “Reis” ainda falam de humildade,
Mas continuam dominando mentes.

Jéssica Lima
Poetisa

Navegantes



O mar que nado
É mesmo que navegou
Odisseu e Camões.

Gilmar Júnior
Poeta

Confissão



Quem?
Eu espero por alguém que nunca vi,
Mas sinto que está a caminho…
Quando me revelar a sua face, seja sutil,
E perdoe a minha falha de memória…
É que me apagaram as lembranças de outrora,
Para que eu não venha a deixar de sentir
A emoção do primeiro encontro...

Lavínia Lins
Poetisa

sábado, 11 de agosto de 2012

Vadio



Converto-lhe, meu senhor,
À minha religião,
A este paganismo desnudo,
À doutrina apedrejada por esta hipocrisia barata.
Converto-lhe, senhor,
A estes vícios infindos
Este abismo salobro que te engole e
Te cospe em desalinho.
Converto-lhe, ó senhor,
Ao paraíso de ser vadio,
De ser livre em demasia;
Pois se do pecado vim,
Do pecado viverei.

Rayane Medeiros,
Poetisa

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Cinco Poemas para Charles Bukowski



I
A solidão me acompanha
Desde sempre,
Por isso não me sinto
Mais só...
Tenho-a comigo
(Como uma companheira presente)
A retirar-me do corpo
O lençol.

O amor, Charles, é como um cachorro
Que nos persegue
Pelas ruas,
Pelos becos
E depois fica inerte.

O amor, Charles, é um cão dos diabos...
Sempre nos colocando para baixo.

II

Essa melancolia, Charles,
É como
Aquele rastro de solidão
Vindo da tarde.
Ele vem e se arrasta
Sobre os móveis,
Para nos sinais de trânsito,
Se dependura nos outdoors,
Acena em meio à multidão...

Ele vem e se arrasta
Sobre as pessoas,
Está nas esquinas,
Nos bares,
Nas cercanias,
No falso aconchego
Dos lares...

Um rastro de solidão
Vindo da tarde
É como o homem que caminha
Compenetrado e triste
Por ter sido apenas
Um entre os demais...

Um rastro de solidão
Vindo da tarde
É como um homem que balança
Na corda bamba da existência
E depois se esparrama
Nos charcos da consciência.

III

Eu quero a solidão
Que nenhum
Outro homem quis:
A solidão plena,
A solidão minha,
A solidão que
Nos deixa
Por um triz...
A solidão-morte,
A solidão-vida...

Quero-a e por querê-la
Assim
(Tão amiúde),
É que meu corpo finda
E finito
Me ilude.


IV

Quando Dionísio, o Velho,
Conquistou as cidades,
Conheceu Dâmocles,
O interesseiro das vantagens...
Então, um belo dia, o rei
Mandou prender a uma crina
De cavalo o que entendeu
Ser ali a resposta, a sina
Dos que estão no poder
E que gozam da vida.

A espada foi dependurada
Naquela crina sobre a cabeça
De Dâmocles, o Interesseiro,
E ele tremeu, pois que entendia
Ser chegada a hora de ser ele mesmo.

Então, Charles, às vezes
Ficamos como Dâmocles,
Embaixo da lâmina
Sem sabermos
O que virá logo adiante.

V
Desvencilhar-se da vida, Charles,
Abandonar tudo e meter o pé na estrada,
Deixar-se levar e tão somente
Iludir-se da vida plenamente...

Ah, Charles, esse amor que guardamos
Dentro do peito, é um louco,
Um desvairado, um alienado e, no fim,
Um expatriado!

As coisas que me chegam agora, Charles,
Pelo correio, apenas me deixam ainda mais
Apegado às mesmas ilusões de antes...
E, assim, desenho esses dias,
Os dias e os levantes!

Quando amanhece e o sol apenas aquece
Um corpo qualquer,
Então me jogo
Sobre a desilusão que não me quer.

Esta sombra que invade nossa vida
É mesmo, velho Charles,
A podridão da nossa lida!