domingo, 5 de janeiro de 2014

Respire em mim


Senti seu cheiro desde a esquina,
O cheiro de tua pele quente,
E como se fosse aguardente, me embriaguei.
Descobri que eu visto a roupa pro'cê tirar,
Pra que a tua mão enfeite meu colo,
Pra que teu sorriso se espalhe em meu umbigo,
Pra que sua sorte encontre minha cama.
Eu não preciso dos odores que vem em vidros,
Feromônios destoam nas ruas,
Mas meu aroma tu reconheces como um leão faminto.
Eu desligo os alarmes,
Destranco as portas,
Descarto os medos,
Desbravo os devaneios.
Eu escolho arder em tuas pernas.
Acorde meu bem, pois o dia raiou.
Respire em mim e inspire em nós.

Ana Clara Duarte
Poetisa

Na Manhã do Sábado


Na manhã do Sábado
Debaixo do céu nublado
O corpo no chão sangra
E a mãe por justiça clama.

Uma criança morta
Em acidente assustador.
A multidão esta a sua volta
Vendo a cena de horror.

Uma mulher que tenta consolar
Uma mãe desesperada
Que não parava de chorar
Vendo morta a filha amada.

Olho para a menina
Lembro-me de como era linda,
Mas a beleza foi acabada
Ela se encontra despedaçada.

Ela não verá o sol nascer
Nem poderá mais sonhar,
Nem voltar para o seu lá,
Só restará ao seu corpo apodrecer.

João Carias de França
Poeta

O desfecho extraordinariamente comum


  • Entreteve-se tanto 
    com o mundo de plástico
    que já não sentia mais os pisões,
    nem mesmo o peso da classe, 
    que lhe era – ilusoriamente – natural.

    E morreu feliz
    (bem melhor que outros):
    sentia apenas o que
    imaginava possuir.

    E o erro, quando vivo,
    caso pudesse perceber:
    possuía apenas o que
    imaginava sentir.

    Sempre imaginava.
    Nem sempre sentia.

    Felipe Conti
    Poeta

Conspiração


Estamos nos encontrando ou nos perdendo,
isso não faz sentido seu orgulho contra minha timidez,
e quando ficarmos frente a frente no jogo?
eu com minhas cartas e você com suas armas imateriais,
eu não me lembro quando ficamos em lados opostos,
você não se cansou de todos os nossos amigos dizendo o que já sabemos,
mas quando eu estiver sozinho mergulhado na neblina,
não tente me encontrar,
pois estou procurando uma maneira de ficar ao teu lado...

Mário César
Poeta

Lágrimas no Espelho



Exatidões incertas
Pensamentos em alerta
Gritos no silêncio
Tormentos numa mente dispersa

Uma rosa sem espinhos
Um espinho em uma rosa
Uma rosa branca ,
Delicado corte
Sangue vermelho
Lágrimas no espelho

Um conselho
Uma direção
Uma certeza incerta desta situação
O Sol está com frio
A força é uma veia bailarina
A poesia é uma injeção

Uma flor de laranjeira
Cheirando choro
Um olhar na janela
Esperando a chuva, olhando para o céu azul
De pijama de flanela, amarelo, cor dos raios do sol.

Uma quarta-feira, um horário, uma dor
E uma força transborda na fraqueza.

Jeniffer Javorski Cabral
Poetisa

Baby, goodbye


Seca como uma folha que cai
Dura como as pedras atiradas
nas madalenas atuais.
Frígida como o gelo
que esfria o Whisky,
vivo dias em anestesia.
Ainda que o ciúmes me corte
e que a mim seja oferecido
um pouco de proteção,
nesse momento nada me atinge forte.
Ainda que eu caia
ressurgirei como uma flor
que nasce no concreto.
Eu sou o meu anjo guardião.
Eu sou o meu bem feitor.
Sou a minha fortaleza e
sou a montanha mais alta
de todos os planetas.
Você me ensinou a ser assim
e na minha lei
não cabe mais você
e sua estupidez.

Ariany Vale
Poetisa

Sem Nome


Teus lábios doces,
docemente despiram-me.
Ponto por ponto, nó por nó.

Minha alma nua,
não teve escolha,
padeceu em teus braços.

Debaixo da mangueira,
sorrimos em flor.
Fui por teus caminhos,
e dancei em teus lábios.

Ainda hoje,
pós idas e voltas,
se passas por mim,
estremeço.


Edja Lemos
Poetisa