segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Pintura e poesia



Desenho as coisas da vida com um pincel
As pessoas, o cotidiano e a natureza
Eu os faço com muitas cores no papel
Em cada detalhe, toda pequena sutileza

Desdenho das coisas da vida com uma caneta
Escrevo para espantar o mau sentimento
Quero espalhar a alegria em todo o planeta
Quero escrever poesias para cada momento

Que seja doce, que seja leve
Caindo bela como a neve
A minha rota, a minha existência

Tomara chegar ao final da vida
Ao fim dessa viagem só de ida
E conservar minha infantil essência.

O amor

O amor é uma gorda desajeitada
Que entra casa a dentro e no caminho
Quebra o vaso, mata o peixe e o passarinho
Invasora, inconsequente e mal-educada

O amor é uma chuva na praia no dia da viagem
É um feriado que cai no Domingo
É no mar da inconveniência o último pingo
É avistar no deserto uma miragem

Ai do que ama! Salve-se quem puder
Porque o amor, acredite se quiser
É dos monstros o mais horroroso

Sorte a minha! Sou incapaz de amar
Mas um grande defeito eu devo confessar
Além de poeta, sou um grande mentiroso.

Salto do precipício


O som do vento soprou uma novidade ao meu ouvido
De novos tempos, tais como nunca antes havido
Perguntei ao destino: "O que é que tu me prometes?"
"Nada te prometo", disse-me ele. "Não sois minha marionete!"

Quis duvidar, mas sinto tudo mais claro agora
Como pude esperar tanto tempo pela melhor hora?
Os dias escorrem das mãos como a areia do mar
Não posso perder mais tempo algum a esperar

Quem quer felicidade jamais poderá escolher
Esperar pela oportunidade que o destino conceder
Essa inquietação não deixa saída

Há muito mais felicidade para quem se arriscar
A saltar do precipício da dúvida e experimentar
O verdadeiro sabor que tem a vida.

domingo, 7 de agosto de 2011

Alheio




Meu mundo é o pecado que cometo
A cada passo mal dado,
Cada sussurro abafado.
É o dia que se finda em outro dia,
Em outras mãos
Extasiado -
Sem compaixão

Meu mundo é o abismo que retalho,
Onde mergulho,
Instigado
Em teus segredos...
Onde devoro -
Em longas doses -
O sabor ardente de teus desejos.

Meu mundo é uma estrada adversa,
Onde sigo às pressas,
A largos passos,
À procura de outros braços
Que me envolvam,
Que me enlacem
E em mim dissolvam.

Meu mundo é Alheio,
Instável -
E vaga, insaciável,
Para encontrar-se com o seu.
Meu mundo jaz em outro mundo
E agita-se,
Eufórico,
Num findar-se profundo.


Rayane Medeiros
Poetisa

Tempo regresso





O tempo que se conta em segundos,
Minutos,
Horas.

Horas fosse o tempo que não volta...
Queria construir um relógio
Que seus ponteiros a rodar anti-horário
Voltasse minha vida para um passado presente
E de tudo que minha alma pudesse corrigir.

Os beijos seriam devolvidos,
Os abraços não dados.
Terias vivido,
O vívido tempo ao contrário.

Marcos Antoniel
Poeta


Por que as pessoas morrem?

Porque o mundo está lotado
Porque chegou a hora
Porque Deus quis
Porque não somos imortais
Porque tudo tem fim
Porque não nascemos pra semente
Porque a vida é beirar o abismo
Porque é a libertação total
Pra que viver, e saber que o fim é o nada que é tudo
É uma sensação de prazer e desprazer
É um querer inconsciente
Uma chama que se apaga sem querer
Sabe, eu não quero morrer!
Meu desejo é ser infinitamente imortal...
No sorriso, no abraço, no carinho, nas conversas, nas brincadeiras,
No eu te amo!
Dizer se a vida é justa ou injusta é selecionar quem vai ou não morrer
É um saber sem saber
Um estudar sem estudar
No final, é um viver sem viver.
É a morte...

Lailsa Ribeiro
Poetisa


Detalhes

Nos cantos, recantos da vida:
Detalhes, detalhes.
Procuro esvaziar o ego,
Buscar o novo, o fantástico,
Trilhar novos caminhos,
Antes jamais percorridos.
Descobrir o segredo da existência,
Procurar enxergar o invisível.

Aridiana Dantas
Poetisa


O último beijo

És perfumada como as damas devem ser
Atraia-me para ti
Nosso encontro é vital
Sine qua non, inevitável

Quem te disse que não vivo sem teu beijo?
Evitas as palavras mais doces
Para me entregar teus lábios em meio a uma guerra
Se me odeias, me beijas
És uma dama de armadura
Eu sou o inimigo assustado com uma esperança no coração

Sob nossos olhares somos iguais
Qualquer disfarce se desfaz na iminência dos teus lábios
Desejo tê-los e você
Me precipito, mas sinto que queres
Inevitável
...!

Ainda trêmulo
Exausto, provoco uma batalha
Segui o inimigo rendido
Como um animal, procuro teu cheiro nos meus braços
Ignoro meu sôfrego coração para não ter vivido o último beijo.

Aníbal Mascarenhas
Poeta


Palavras Agrestes

Se agrestes são as palavras tuas
E meu amor inconteste,
Sigo a olhar-te e te desejar em silêncio...
E te contemplo, imaginariamente,
Na alcova alva,
Recebendo-te na tua cândida essência;
E, paulatinamente, desnudando-te
Para enxergar o cerne de tu'alma
Através dos lindos seios teus...
Te olho, te guardo, te chamo...
Mostro-me a ti
E, incondicionalmente, te amo...

Lázaro Fabrício
Poeta


Poemas publicados no quadro Novos Poetas, GAZETA DO OESTE - www.gazetadooeste.com.br - caderno Expressão deste domingo, 7 de agosto

sábado, 6 de agosto de 2011

Sonoridade




Soa como afago escurecido
Aquela intensidade umedecente em meu peito
E me livra da dor de matar a mim mesmo,
Aos meus desejos deléveis...
Venho parindo um abrigo,
Um cordão incandescente
Me faz entender que é não
Ser enlouquecido ao me escutar.
Sofro de cativar,
Ouço o cair do anoitecer sussurando aos vestígios.
Embriago a saliva...
Engulo assopros amargos,
Tropeço nos tempos...
Penitência para o passado.

Williams Vicente
Poeta

Essência




Eu sou aquele que brota do seco chão do sertão,
O índio que canta as mágoas da floresta queimada,
Da gelada indústria sou a rude exaustão,
O mendigo que dorme sobre a fria calçada.

Sou a incerteza do camponês nordestino,
O sofrimento da mãe à procura do alimento da cria,
Do menino de rua sou o corpo franzino,
A pré-adolescente que aos 12 procria.

Sou aquele que respira o ar poluído
Que representa a riqueza da selva de pedras,
O que ouve calado o mais alto ruído
Escalando edifícios e resistindo a queda.

Sou a voz abafada da mais pura indignação,
O discurso inflamado da educadora que clama,
A incerteza que se dilui em insatisfação
Os sentimentos pisoteados e jogados na lama!

Sou aquele que luta sob o sol escaldante,
A fria rotina do operário oprimido,
O amanhã incerto do exausto retirante,
A precoce morte do “menino bandido”.

Sou a mistura de todas as divergências,
A combinação das raças em uma só etnia,
Sou das autoridades a inabalável consciência,
A emoção engasgada que aos poucos atonia!

Sou a essência comum que nosso povo partilha
As esperanças que se transformam em um só coração;
Sou brasileiro e filho da mãe e do pai de família
Que fornecem a energia pra mover esta nação!

Ana Rita Dantas de Lira
Poetisa


Foto: http://meninadaluaimagens.blogspot.com