terça-feira, 16 de julho de 2013

Dilacerados



Eu te dilacero,
Tu me dilaceras
E na saga diária dessa carnificina nossa
Meu peito vai sangrando a ardilosa
E sutil queda dos seres
No nada que se forma de prazeres.

Eu te dilacero,
Tu me dilaceras...
E no açougue de nossas almas
Os corpos vão sangrando outras plagas...

Tu me dilaceras,
Eu me dilacero
E, somente assim,
Desprendido de mim,
É que me vejo na sombra
Do que me encerro.

Eu me dilacero em efêmeros terremotos,
Em noites sombrias e densas,
Em intensidades e vertigens,
Em solidões e devaneios,
Enquanto Pink Floyd toca na sala
E os vinis me espreitam!

Tu te dilaceras e eu te dilacero...
Assim, seguindo esta jornada,
De capinar no peito e na alma,
Arrancamos a carne na madrugada.

Mário Gerson
Poeta

3 comentários:

  1. majestoso esse poema, de uma poética dramática invejável!

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  2. Obrigado, Yuri. Grande abraço e vamos juntos!

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  3. Esse Marujo é um cabra danado, mesmo!

    Ótimo poema.

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