terça-feira, 9 de agosto de 2011

Cheiro




Invade
Minha alma
Como coisa imprudente,
Deixando um rastro
No espírito
Que há em mim.

Encontro




À Madame dos Sonhos


Nesta noite
Teu corpo –
Por onde,
Um dia,
Caminharei,
Senda ou vereda –
Instante de um olhar –
Teu corpo –
Meu semblante –
A queda,
O suor
Do imaginar.

Se amanhã os corpos
Encontrarem-se,
Será apenas
A lembrança de um encontro
E a solidão do que se quer.


Ilustração: Imagem da deusa Vênus

Pena




Soma e nada
Do que agora
Me surge,
Teu corpo
E teu semblante –
Eufóricos
De viver.


Ilustração: Salvador Dali

Sacrilégio




Converta-me
(Eu imploro)
À tua religião!
Do peito sempre aberto,
Da dádiva do ser.
Perversão.

Singrando
Vou seguindo
Nos mares de alguém
Inacessível.


Ilustração: Salvador Dali

Madame M. ou as pupilas do sonho




O sorrir,
Apenas
Aquilo
Que me consome
Por dentro,
O desejo de tê-la
Em seu momento.
Nunca, porém,
Tua chegada
Foi tão esperada
Nesta madrugada.


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Adeus

Adeus, vou para onde dói menos
No porto, onde meu barco fica sereno
No sul, quero um clima mais ameno
Quero paz

Não! Quero mais é um amor turbulento
Que se exploda em mim a todo momento
Que meu coração bata rápido-lento
Tanto faz

A sina do que ama é esperar
O destino infeliz que virá
De ter no peito uma chama que se apagará.

Carta

Vou te esperar
Não me importa o tempo que leve
Mas amor, seja breve!
Eu posso me cansar

Vou me guardar
Porque seu beijo é o único que quero
Mas não demore! Porque te venero
Mas posso me desencantar

Ou me encantar por aquela
Que embora não tão bela
Está ao alcance dos olhos e mãos

A solidão e a tristeza são avassaladoras
E há outras, que mesmo não tão encantadoras
Podem conquistar meu coração.