sábado, 14 de julho de 2012

Resquícios




Da noite primeira
(E senão a última)
Ficou-me teu cheiro,
O amadeirado suave
Entranhado em meu corpo...

Ficou teu trago em minha boca,
O doce amargo do teu negro.

Da noite primeira
(E senão a última)
Ficou-me o teu falar
ao pé do ouvido,
Teu grave que se desfaz
                         Em arrepio...

Ficou o abraço inquietante,
O beijo trocado em comum acordo.

Da noite primeira
(E senão a última)
Ficou-me teu vício impregnado,
Teu tato em minha pele,
Meu desejo...
                    Não saciado.


Rayane Medeiros
Poetisa

Soneto aos desavisados

Atesto para os devidos fins:
que aqui dentro bate um coração,
que não suporta mais tanta ilusão
e prefere não mais viver assim.

Atesto a quem interessar saber:
que tenho em mim muitos sonhos,
que me atiram nesse manicômio
de loucuras d’esse meu viver

A quem me queira não mais que querer,
deixo uma escolha: entrega-te!
Pois tudo na vida depende disso.

Não espero que possas compreender
que quem vive assim não padece;
pois não ousaria esse desperdício.

Luiz Luz
Poeta

quinta-feira, 12 de julho de 2012

I


Naturalmente contagiante,
Forma simples de ser único
Do Cosmos é o mediador
Sem nada ter para confrontar...
Surpreendente ao alvorecer...
Sobe e desce aos raios do Sol,
Espelho luzente do brilho da Lua.


Dony Moreira
Poeta

Manhã de sábado


Uma vida como uma
Facção de egos,
De coisas esparsas,
Jogadas pelo chão...

Uma vida como uma
Inexplicável via –
Plena contramão...

Vem de longe, pois,
Esta infâmia,
- Pontes, lonjuras, alegrias –
            Dispersos sentidos,
            Manhã de sábado,
            Monotonia.

Mário Gerson
Poeta 


terça-feira, 10 de julho de 2012

Desejo


Em noite de redentor silêncio,
Escutando o vibrar do Infinito,
Perscruto as estrelas que cintilam
Por entre as luzes de mil sonhos.

Cerro os olhos e me transporto,
Sentindo cada suspiro da brisa;
Deambulo por milhas de distância,
Cruzando a imensidão do oceano.

No horizonte, um firme farol
Denuncia o meu porto de abrigo,
Adornado pelas cores do arco-íris
Nas rimas de um poema sussurrado.

Então, num impacto encandeante,
Descubro esse sorriso que me chama –
Eis, por fim, num inominável ensejo,
A doce candura de teus braços.

Lavínia Lins &
Pedro Belo Clara

(Julho 2012).

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Geração do futuro


Estamos acostumados por obrigação
Ou talvez por falta de opção.
Nós perdemos a voz há um tempão
E aceitamos a silenciosa opressão.
Aqui, nós somos uma plateia,
Elementos passivos de uma mera peça
Tão ensaiada que se torna falsa,
Tão forçada que perdeu a graça...
Hoje em dia não há mais revolução...
Perdeu-se a sede de manifestação.
O que comanda o mundo é uma fácil manipulação
E, mudos, somos uma frágil multidão.

Yáskara Fabíola
Poetisa

As coisas


As coisas causam pausas
quase sempre náuseas,
menopausas.

As coisas causam causas,
quase sempre pousam,
repousam.

As coisas causam quases
quase sempre morto
aborto.

As coisas causam coisas
quase sempre êxtase
orgasmadas.

As coisas causam cio,
quase sempre coito,
coitadas.

João Andrade
Poeta