quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Antropofagia


I

Vasculhar a alma
Abrir a gaveta-coração
Quantos eus cabem em mim?

Procurar com calma
Na completa escuridão
Encontrar-se ao fim

II

Despir-se do ego, dos medos
Das mentiras e da hipocrisia
Aceitar cada eu que existe

De mãos dadas comigo, entre os dedos
Está a beleza, a feiura, a fantasia
O que tenho de alegre e triste

III

Aceitar-se. Nada mais.
Olhar pra si e conseguir
Rir, chorar, tirar sarro

Conhecer-se, achar a paz
Que está em admitir
Que somos mármore e barro.

IV

Olhar o espelho, ver a imagem
Perceber-se através do corpo
Admirar-se novamente

Navegar em si, sair da margem
Deixar a segurança do porto
Sem certeza permantente

V

Adaptação
A que me obrigo
Pela consciência

Que pro coração
O melhor abrigo
É a autociência.

3 comentários:

  1. Davi de volta com sua bela poesia. É isso aí, cearense. Vamos em frente!

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  2. Muito belo teu poema, Davi!!
    Parabéns!

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